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Você sabia que o “amigo Bira” do Espanta realmente existe? Conheça um pouco sobre ele

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Você sabia que o “amigo Bira” do Espanta realmente existe? Conheça um pouco sobre ele

Você sabia que o “amigo Bira” do Espanta realmente existe? Conheça um pouco sobre ele

“Meu amigo Bira…”. Se você já ouviu alguma piada contada pelo humorista Espanta, certamente já deve tê-lo ouvido falar nesse tal de amigo Bira. Mas quem pensou que o Bira só existia na imaginação do Espanta se enganou. Ele existe e o TodoNatalense bateu um papo com ele e aproveitou para homenagear mais uma vez um dos maiores humoristas que o Brasil já teve, o Espanta, que faleceu no dia 24 de novembro de 2006.

O Bira na verdade é o apelido de Ubiratan Pereira Bezerra. Com 57 anos de idade, Bira é natural de Várzea, uma pequena cidade da Região Agreste potiguar. Ele vive em Natal desde o seu primeiro ano de vida, quando seus pais vieram para a capital e passaram a morar no bairro das Quintas. Hoje Bira é funcionário público e trabalha no Diário Oficial do Estado (DOE-RN).

Amigo de longas datas de Espanta, Bira conheceu o humorista no início de sua carreira, pouco tempo após ele fazer o primeiro show da vida dele, no Teatro Alberto Maranhão, na época o mais importante da cidade.

Segundo Bira, Espanta começou sua carreira por acaso. Ele era representante comercial de produtos alimentícios e sempre que estava esperando para ser atendido em uma empresa ele começava a contar piadas. “O pessoal ficava morrendo de rir e sempre dava a vez a ele, ele sempre conseguia entrar na frente dos outros representantes”, disse Ubiratan, conforme o próprio Espanta havia lhe contado.

Foi aí que uma pessoa deu a ele a ideia de fazer um show humorístico. E assim começava a carreira de Espanta. O primeiro show do David Cunha – nome de batismo de Espanta – no Teatro Alberto Maranhão foi um sucesso. Mas, inexperiente, ele sentiu a necessidade de ter uma produtora o ajudando.

“Quando ele ia partir pra um segundo show, aí ele me conheceu. Na época eu trabalhava na Localiza, uma locadora de carro. Ele conseguiu uma amizade com um pessoal e esse pessoal fez a produção do show dele, fez um repertório melhor, mais curto e ele tinha, dentro dos personagens, um Espanta Jesus, que depois a igreja pediu pra ele tirar o nome Jesus e ficou só Espanta”, lembra.

E NASCE O “MEU AMIGO BIRA”

Em suas atrações Espanta tinha um personagem chamado Pudim de Cana, criação do próprio humorista. O personagem era um bêbado que vestia um terno amassado, usava uma peruca desarranjada, fumava um cigarro amassado e fazia muita graça.

Ele queria, nesse personagem, inserir histórias de uma pessoa real, de um parceiro dele. Espanta chegou a usar o nome de um médico amigo dele chamado Henrique, mas depois o médico não gostou e ele deixou de citá-lo nos shows. Foi aí que o Bira entrou na história, emprestando seu nome para as piadas do amigo Espanta. O Pudim fez tanto sucesso que chegou a fazer parte da Escolinha do Professor Raimundo, na Rede Globo, na década de 1990.

“Ele jogou dentro do Pudim de Cana o amigo Bira e aquelas histórias que ele contava são roteiros que ele criava de bêbados, de pessoas do interior, do matuto. Ele mesmo escrevia os textos, que na verdade não são fatos não, ele só usava meu nome. As pessoas até perguntam: você bateu mesmo no cabaré da Leila? E eu digo: não existe isso não”, conta, sorrindo ao lembrar de uma das piadas mais conhecidas do amigo, a piada do Cabaré da Leila. Assista no vídeo abaixo:

Além de emprestar seu nome para as piadas de Espanta, Bira ainda conseguiu um apoio da Localiza, empresa na qual trabalhava, concedendo um carro pra ele viajar e fazer suas apresentações no interior do Estado. Bira recorda que o amigo era um cara talentoso tanto pela criação de suas piadas, quanto pela interpretação. Mas não era só nos palcos que Espanta era engraçado; fora deles era do mesmo jeito. “Ele criou o personagem Espanta e se tornou o Espanta, tanto é que eu tinha dificuldade de chamar ele de David Cunha”.

Sobre o Bira das piadas, ele garante que a única semelhança com o Bira da vida real é que ele gosta de beber cerveja. “Eu sou um tomador de cerveja, mas eu não sou aquilo tudo que ele conta não, é só ficção, não são fatos reais não”, sorri.

Apesar da piada do Cabaré da Leila ser uma das mais conhecidas do Espanta, a preferida de Bira é a que ele narra um episódio em um centro de macumba. Confira:

O ACIDENTE

O último contato que Bira teve com Espanta foi no dia do acidente que vitimou fatalmente o humorista, que estava no auge da carreira. Naquele dia eles dois e o filho de Espanta que estava dirigindo no dia do acidente almoçaram juntos no Restaurante Pinga Fogo da Av. Prudente de Morais. Terminaram de almoçar por volta das 13h, se despediram e Espanta saiu em direção à cidade de Mossoró, onde faria um show dentro de algumas horas. Esse show nunca foi feito.

“Quando deu umas 16h eu recebi a notícia da morte dele. Eu disse: não acredito. Tinha acabado de almoçar com ele”, lamenta Bira, lembrando que Espanta não gostava de usar cinto de segurança “e essa foi a causa da morte dele, pois ele foi arremessado pra fora do carro e sofreu um traumatismo craniano”, afirma.

Astra de David Cunha que capotou em 2006

O SONHO

Para Bira, Espanta “foi o melhor humorista do Rio Grande do Norte”, pela interpretação, pelo jeito dele contar piadas, pelas histórias que ele contava. A maior saudade que ele tem é da amizade que tinha com Espanta. “Ele era muito carismático, cativante, era um bom amigo, um camarada que envolvia muita gente”, recorda.

Após a morte do humorista, Bira diz ter ficado muito perturbado, sem acreditar no que havia acontecido. Após o enterro de Espanta, Bira foi pra casa bastante triste e abalado e sonhou que estava com o humorista em um carro e iniciavam a seguinte conversa:

-Ei, eu vou fazer o último show da minha vida – dizia Espanta.

-Mas o último show como? Você vai deixar de ser artista? – perguntava Bira.

-Não, é o último show que eu vou fazer e nem você vai ver esse show, vai ser a minha despedida dos shows.

-Mas como eu não vou ver?

E Espanta explicava:

-Tá vendo aquelas casas brancas ali? Tu me deixa ali que é ali que eu vou fazer meu show.

-Mas como é que você vai pra casa?

-Não se preocupe com isso. É o meu último show, Bira. Eu não tô dizendo? Pode deixar. Você para ali, me deixa que eu vou fazer meu último show e não se preocupe que tá tudo bem, eu vou ficar bem.

Então no sonho ele parava, descia do carro e caminhava em direção a umas casas brancas e bonitas, como se fossem casas de interior. E dizia:

-Falou! Depois do show eu falo pra você.

Então Bira deixava ele naquele lugar e ia embora. Sobre o sonho, ele conclui: “Acho que naquele sonho ele veio dizer pra mim que ficou em um canto bom, do jeito que ele queria e acabou-se, depois daí ficou só saudade, eu não sinto mais tristeza, só lembro dos momentos bons”, afirma o eterno amigo do Espanta.

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Diego Campelo

Sou jornalista com passagens por jornais impressos e online da capital potiguar e assessorias de comunicação de empresas públicas. Atualmente trabalho como assessor de imprensa. Instagram: @campelodiego1

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