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Tragédia do Baldo deixou 19 mortos; até hoje culpado não foi preso

Natal

Tragédia do Baldo deixou 19 mortos; até hoje culpado não foi preso

Tragédia do Baldo deixou 19 mortos; até hoje culpado não foi preso


Avalie aí viver num mundo onde um cidadão mata 19 pessoas e nunca é realmente punido por isso. Pois é, essa história aconteceu em Natal no ano de 1984, cerca de uma semana antes das festividades de Carnaval da capital potiguar. Vamos relembrar um pouco dessa tragédia que marcou pra sempre a história de nossa cidade.

CARNAVAL EM NATAL

Para entender tudo direitinho é importante contextualizar o momento. Na década de 80, as festas de Carnaval por aqui eram extremamente relevantes. As ruas eram tomadas por multidões que se divertiam em blocos. Pessoas da época relatam que Natal começava a entrar, inclusive, no calendário carnavalesco do Nordeste.

Bloco Puxa-Saco nas ruas de Natal

O bloco “O Cordão do Puxa-Saco” contava com cerca de 5 mil foliões naquele fatídico dia, um número considerável para os dias de hoje, imagine naquela época. E esse era apenas um de inúmeros blocos que desfilavam por toda a cidade nos dias de Carnaval.

O ACIDENTE

25 de fevereiro de 1984 era um sábado, cerca de uma semana antes do Carnaval. Naquele ano Carnaval foi em março, sendo a quarta-feira de cinzas o dia 7 daquele mês. A Prefeitura de Natal disponibilizava transporte para os foliões e as escolas de samba. Naquele dia o motorista da empresa Guanabara, Aluízio Farias Batista, recebeu a notícia que deveria trabalhar além do expediente para cumprir o compromisso da empresa com a Prefeitura. Ele ficou enfurecido com a ordem, mas, provavelmente pensando na manutenção do seu emprego, assumiu o comando do ônibus e partiu para a sua ‘última viagem’ da noite. O percurso seria do Alecrim ao bairro das Rocas, onde Aluízio deixaria os integrantes da escola de samba Malandros do Samba.

Aluízio estava irritado e pegou uma escola de samba em plena euforia daquele pré-Carnaval. Não demorou muito tempo para acontecer um desentendimento. Os integrantes da escola de samba começaram a puxar a ‘cordinha’ do ônibus, o que irritou ainda mais Aluízio, que passou a conduzir o veículo em alta velocidade pelas ruas de Natal. A velocidade chegava a 70km/h, o que pode não parecer muito, mas lembre-se de que havia muitas pessoas nas ruas, embora o Carnaval ainda não tivesse de fato comecado. Além do mais o motorista não respeitava sequer os semáforos e quando os passageiros reclamavam ele respondia: “se tiver que morrer, morre todo mundo”.

Nas proximidades do então recém-inaugurado Viaduto do Baldo, ao fazer uma curva a traseira do ônibus bateu em um fusca que estava parado em um canteiro na Av. Rio Branco. Sem o controle do veículo, Aluízio viu o ônibus que dirigia causar uma das maiores tragédias da história da cidade. Dezenas de pessoas foram atropeladas após o veículo invadir o lado da pista onde os quase 5 mil foliões se divertiam.

Fusca atingido pela traseira do ônibus

O desespero tomou conta do local e a tragédia ainda foi agravada após Aluízio fugir do ônibus sem puxar o freio de mão. O veículo voltou de ré e atropelou novamente dezenas de pessoas. Há relatos de que era possível ouvir o estralar de ossos das vítimas. A tragédia só não foi maior devido à atitude heroica de um rapaz chamado Adailson Pereira de Oliveira, conhecido como “Batata”, que era goleiro de futsal. Ele subiu no ônibus e puxou o freio de mão. No meio do desespero as pessoas ainda tentaram linchar o “salvador” após confundirem-no com o motorista.

Veja também: A Falha de Samambaia no RN e um dos maiores terremotos da história do Brasil

Um laudo do ITEP na época afirmou que não houve nenhuma falha mecânica no ônibus. Os sistemas de segurança e direção estavam funcionando perfeitamente.

O saldo foi 19 mortos, 11 feridos gravemente e uma das cenas mais trágicas de nossa história. A cidade parou por uns dias e o Carnaval de Natal não aconteceu e ficou enterrado pelo trauma. Algumas pessoas falam que o Carnatal, a maior micareta do mundo, surgiu exatamente dessa lacuna deixada pela falta de bons Carnavais nos anos posteriores à tragédia.

ALUÍZIO FARIAS – O MOTORISTA

O histórico de Aluízio não era dos melhores. Em 1980 ele já havia atropelado e matado uma mulher de 19 anos em Natal. Quando dirigiu de forma irresponsável e agressiva naquela noite de Carnaval ele estava assumindo totalmente o risco de voltar a matar pessoas. O ato covarde de fugir foi fundamental para agravar o acidente.

Alguns dias depois da tragédia ele se apresentou à Polícia, prestou depoimento e foi surpreendentemente liberado – parece que a Justiça naquela época já era um verdadeiro “cabaré”. Depois disso ele nunca mais foi visto em lugar algum.

Em 15 de maio de 2009 ele foi condenado a 21 anos de prisão em regime fechado, mas a prisão nunca aconteceu. Se estiver vivo, hoje Aluízio está com 60 anos de idade.

Em 2005 o Linha Direta, que passava na Globo, fez um programa sobre a tragédia do baldo. Ao final do programa colocou uma foto do culpado, em busca de denúncias que levassem ao foragido. Apesar da grande audiência do programa na época, Aluísio não foi encontrado.

Será que Aluízio já morreu? Será que ele vive com a culpa até hoje? Enfim, provavelmente nunca saberemos, mas esperamos que essa história de impunidade nunca mais se repita.

*Postado atualizado na quarta-feira (19), às 8h50, após importantes observações feitas pelos leitores. Obrigado pela contribuição de todos.

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Mateus Ângelo

Idealizador do TodoNatalense. Sou Designer Gráfico e Social Media desde 2013. Atualmente trabalho como diretor de comunicação no município de Ceará-Mirim.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Avatar

    Deise

    19 de dezembro de 2018 at 02:17

    parabéns! pela matéria muito boa adoro noticias antigas histórias antigas. parabéns mesmo!!!

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