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Qual era o poder de fogo da Fortaleza dos Reis Magos e por que seu formato de estrela

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Qual era o poder de fogo da Fortaleza dos Reis Magos e por que seu formato de estrela

Qual era o poder de fogo da Fortaleza dos Reis Magos e por que seu formato de estrela

Do alto da ponte Newton Navarro é possível ver uma estrela gigante que resiste ao tempo e ao movimento das marés. São 420 anos desde quando foi iniciada a construção da Fortaleza dos Reis Magos, em 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis pelo calendário católico. O objetivo da construção era defender o litoral potiguar das investidas inimigas, como os índios e, principalmente, dos corsários franceses. Mas qual era o real poder de fogo dessa antiga fortaleza?

Em primeiro lugar é necessário lembrar que nem sempre a estrutura foi como é atualmente. A primeira era uma paliçada, feita de estaca e taipa, conforme cita o professor Itamar de Souza, na página 53 do livro Nova História de Natal:

“A construção iniciada em 1598 era precária, de barro e varas colhidas nos mangues e adjacências. Com o tempo ela deteriorou-se, por isso, em 1612, o Rei Filipe III mandou que se reconstruísse o forte, nomeando, para realizar essa tarefa, o engenheiro-mor Francisco de Frias Mesquita. A construção de pedra como conhecemos hoje foi realizada a partir de 1614 obedecendo a planta primitiva”, escreve.

O PODER DE FOGO

Foto: Karolina Gomes

Conforme consta no site fortalezas.org, no contexto da segunda Invasão holandesa do Brasil (1630-1654) um relatório intitulado “A Memória”, de 20 de maio de 1630, feito por um espião e comerciante neerlandês por nome Adriaen Verdonck dá uma descrição detalhada do poderio bélico da fortaleza. “Esse forte é o melhor que existe em toda a costa do Brasil, pois é muito sólido e belo e está armado com 11 canhões de bronze, todos meios-canhões, muitas colubrinas e ainda 12 ou 13 canhões de ferro, estes porém imprestáveis; na entrada do mesmo forte há também 2 peças e daí chega-se ao paiol da pólvora”, relata.

De acordo com o historiador Alexandre Rocha, a Fortaleza dos Reis Magos é considerada a maior das armas de guerra coloniais. Ele também explica o porquê do formato de estrela da estrutura, desenhada pelo jesuíta Gaspar de Samperes.

“Pensa nas pontas da estrela: se você vem por uma delas reto, dois canhões conseguem lhe atirar; se você vem pelo meio delas, dois ou três canhões conseguem lhe atirar. Para você invadir com a infantaria (a pé) a escalada, além de quase impossível, sempre deixa o atacante de costas para uma das pontas da estrela”, explica o historiador.

O risco que correria um navio que tentasse encarar o poderio do forte era tão grande que nenhuma das vezes os comandantes navais ousaram arriscar, de modo que eles sempre desciam perto da Redinha ou, na maioria das vezes, onde hoje é a Vila de Ponta Negra.

“Ali você estava amparado por pelo menos duas braças de terra, porque você tem pelo menos duas pontas de terra e ficava longe para que se pudesse ser visto. Então os inimigos vinham por outro lado, paravam ali e seguiam a pé”, acrescenta Alexandre Rocha.

Veja também: FORTE DOS REIS MAGOS: A História do Rio Grande do Norte entregue às baratas

DISPAROS

Um navio convencional carregava consigo canhões que disparavam tiros de cerca de 400 metros; já a Fortaleza dos Reis Magos conseguia disparar com um alcance de cerca de 800 metros a partir do forte, considerando a maré baixa.

As bombas dos canhões eram enormes e pesadas, feitas de ferro, daquelas que se colocava nos pés dos prisioneiros para que não fugissem. O disparo era feito com pólvora, da seguinte forma: usava-se a bucha para socar, acendia-se o pavio e depois era só esperar que o tiro atingisse o alvo.

INVESTIMENTO

Foto: Caio Flávio

O forte é tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1949 e hoje está sob administração do Governo do Estado, servindo como atração turística, embora em péssimas condições de receber visitantes e com a segurança do entorno bastante comprometida. Não são raros os episódios de assaltos na saída do forte.

No final de outubro passado o Governo do Estado anunciou um investimento de R$ 4,1 milhões para restauração do forte. As obras foram anunciadas para começar em 60 dias a partir da assinatura da ordem de serviço e contarão com recursos do programa Governo Cidadão, financiado pelo Banco Mundial. A previsão é que as obras sejam concluídas em novembro de 2019.

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Diego Campelo

Sou jornalista com passagens por jornais impressos e online da capital potiguar e assessorias de comunicação de empresas públicas. Atualmente trabalho como assessor de imprensa. Instagram: @campelodiego1

3 Comentários

3 Comments

  1. Avatar

    Maria das Graças de M. Venâncio

    13 de novembro de 2018 at 14:42

    Gostei demais da matéria. Como estou fazendo um artigo sobre Patrimônio Cultural e Histórico do Rn, este seu artigo me ajudou muito.

    • Diego Campelo

      Diego Campelo

      13 de novembro de 2018 at 18:52

      Que bom, Maria das Graças. Espero que possa a matéria ser bastante útil ao seu trabalho. Abraço!

  2. Avatar

    Jefferson Braga

    21 de maio de 2019 at 22:43

    Que post massa velho, além de aprender e entender sobre o assunto dá vontade de virar o site inteiro vendo o que mais tem de interessante!!!

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