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PRA PINTA ENTENDER: a complexa letra da música ‘Êh Faraó’, repertório da Banda Grafith

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PRA PINTA ENTENDER: a complexa letra da música ‘Êh Faraó’, repertório da Banda Grafith

PRA PINTA ENTENDER: a complexa letra da música ‘Êh Faraó’, repertório da Banda Grafith

A Banda Grafith está comemorando 30 anos neste sábado (17). Goste você ou não, sem dúvida é uma carreira bastante sólida e uma das bandas mais longevas do país. Uma das formas que achamos de homenagear a banda e seus fãs é falar um pouco sobre o seu repertório, marcado principalmente pelos ‘reggaes dazantiga’.

A música Faraó Divindade do Egito não é uma canção autoral da banda potiguar. Na verdade ela foi lançada antes mesmo do surgimento do grupo, em 1987, pela cantora Margareth Menezes – composição de Luciano Gomes. A canção tem uma significativa parcela de crédito pelo sucesso do Carnaval da Bahia e foi oficialmente o primeiro samba-reggae gravado no Brasil, com mais de 100 mil cópias vendidas.

Aqui no Rio Grande do Norte, a música ficou imortalizada na interpretação do Grafithão. Quem aí nunca sentiu vontade de pular quando o Kaká ou a Anah Luiza puxavam o “EU FALEI FARAÓ”? Esse é aquele momento que o pinta que existe dentro de mim, saúda o pinta que existe dentro de você e todos nós sentimos vontade de botar aquele bermudão de veludo e ir pro ‘polga’.

Pouca gente sabe o real significado da letra, que faz menção a vários aspectos da história do Egito Antigo, dentre eles, podemos destacar a mitologia, religião, arquitetura e a política. A letra ainda constrói uma relação da cultura egípcia com a história afro-brasileira, em especial da Bahia.

DECIFRANDO A LETRA:

Deuses!
Divindade infinita do universo
Predominante esquema mitológico
A ênfase do espírito original
Shu!
Formará no Éden um ovo cósmico

É importante compreender que no antigo Egito a religião era politeísta, ou seja, se cultuava vários Deuses. Ao falar da “Divindade Infinita do Universo” a letra está se referindo a Khepri, o primeiro deus e a divindade principal, que em seguida procriou e nasceram os deuses Shu – que é mencionado na letra – e Tefnut. Quando se refere a “Ovo Cósmico” se está tratando da criação do mundo, onde a gema do ovo seria o Sol, o qual a lenda fala que o Deus Shu estava na casca.

Hórus e Seth na batalha

A Emersão!
Nem Osíris sabe como aconteceu
A Emersão!
Nem Osíris sabe como aconteceu

A Ordem ou submissão
Do olho seu
Transformou-se
Na verdadeira humanidade

Epopéia!
Do código de Geb
E Nut
Gerou as estrelas

Osíris proclamou matrimônio com Ísis
E o mau Set irado o assassinou
E impera
Hórus levando avante
A vingança do pai
Derrotando o império
Do mau Set
É o grito da vitória
Que nos satisfaz

Os deuses Shu e Tefnut tiveram dois filhos, que se chamavam Geb e Nut, sendo que este último representava o céu, por isso ‘gerou as estrelas’. O casal teve quadrigêmeos: Osíris, Ísis, Seth, Neftis.

Segundo a mitologia, já no ventre da mãe, Osíris e Ísis se apaixonaram e o irmão Seth ficou com ciúmes, também dentro da barriga. Os irmãos cresceram e Osíris se casou com Ísis, tornando-se, assim, os principais deuses do Egito.

Mas o Seth ainda tava pistola de ciúmes, até porque ele era o Deus da Guerra. O bicho era tão ruim que foi lá e matou Osíris, passando a imperar. A deusa Ísis, uma irmã e esposa muito fiel, encontrou o corpo do seu marido e o ressuscitou. Seth, caba ruim de verdade, foi lá e matou o irmão novamente, só que dessa vez fez o corpo em pedacinhos e distribuiu os restos mortais por todo o Egito. Ísis, esposa maravilhosa, conseguiu juntar os pedaços do marido e, novamente, ressuscitou o seu amado.

‘EMERSÃO’ – A palavra significa trazer à tona, por isso está duas vezes na letra, já que Osíris ressurgiu duas vezes. Na segunda ressurreição Osíris não brincou em serviço, pegou a mulher de jeito e fez logo um menino, que se chamou Hórus, Deus dos Céus. O menino já nasceu com sangue nos olhos, doido pra quebrar o tio Seth no pau. Foi o que aconteceu! Horus conseguiu matar o mau Seth e reinou no Reino dos Vivos, enquanto seu pai reinava no Reino dos Mortos.

O ROÇOIO – Durante a briga com o tio, Hórus perdeu o olho. No Egito Antigo o Olho de Hórus era o principal amuleto para se obter forçavigorsegurança saúde. Por isso a letra fala “Do olho seu, transformou-se na verdadeira humanidade”.

A letra não segue uma ordem cronológica tão perfeita, mas juntando as partes a gente entende

Peça que foi encontrada no túmulo de Tutancâmon

Cadê?
Tutancâmon
Hei Gizé!

Akhaenaton
Hei Gizé!
Tutancâmon
Hei Gizé
Akhaenaton

Aí a gente já vai pra outra época e outro contexto. Gizé é uma cidade do Egito onde se encontra a Necrópole de Gizé, lugar que se tornou o principal símbolo do Egito antigo, pelas suas gigantescas pirâmides. Tutancâmon era filho e genro de Akhaenaton – ambos faraós. Tutancâmon faleceu ainda na adolescência, aos 19 anos. Ambos foram marcantes na história do Egito por abandonar o tradicional politeísmo e passar a adorar exclusivamente o deus Aton.

Eu falei Faraó
Êeeh Faraó!
É, eu clamo Olodum Pelourinho
Êee Faraó!
É Pirâmide, a base do Egito
Que mara mara mara
Maravilha ê!
Egito, Egito ê!

Isso é mais um refrão baiano juntando o Pelourinho, Olodum e o Egito.

Pelourinho
Uma pequena comunidade
Que porém Olodum unira
Em laço de confraternidade

Despertai-vos para a cultura Egípcia no Brasil
Em vez de cabelos trançados
Veremos turbantes
De Tutancâmon

E nas cabeças, enchem-se de liberdade
O povo negro pede igualdade
Deixando de lado as separações

A partir da década de 50 o pelourinho sofreu uma forte degradação, o que transformou aquela região em uma zona de prostituição e marginalidade, tornando-se moradia popular e palco da cultura negra de Salvador. Em 1979 foi fundado o Olodum, um bloco de Carnaval que veio como uma forte opção de lazer para a comunidade do pelourinho.

Quando ele se refere a tranças e turbantes, está pregando uma valorização à cultura egípcia – também africana.

Em 1987, época que a música foi composta, acontecia na África do Sul um dos maiores símbolos de segregação racial da história do mundo, o Apartheid – o que está presente em diversas músicas baianas da época. O Brasil também era um país extremamente preconceituoso à cultura afro – na realidade ainda é – mas naqueles tempos era ainda mais.

APRENDERAM? AGORA CANTEM COM CONSCIÊNCIA

Essa é a prova de que não podemos menosprezar uma música pelo seu ritmo. Existe um preconceito imenso só porque a música faz parte da cultura periférica de nossa cidade. Chegam a taxar muitas vezes como ‘música de gente burra’ e não compreendem a complexidade das canções.

Vida longa ao Grafithão e que venham mais 30 anos!

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Mateus Ângelo

Idealizador do TodoNatalense. Sou Designer Gráfico e Social Media desde 2013. Atualmente trabalho como diretor de comunicação no município de Ceará-Mirim.

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