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O mistério em torno do único militar americano da II Guerra enterrado em Natal

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O mistério em torno do único militar americano da II Guerra enterrado em Natal

O mistério em torno do único militar americano da II Guerra enterrado em Natal

Foto em destaque retirada do livro “Natal, USA”, do historiador Lenine Pinto.

Embora Natal não tenha sido palco de nenhuma grande batalha contra os países do Eixo, há inúmeros registros de americanos que morreram em solo potiguar durante a II Guerra Mundial, quando a cidade recebeu cerca de 10 mil soldados dos Estados Unidos e tornou-se a maior base americana fora daquele país. Foram mortes motivadas por desastres de aviação, acidentes automobilísticos, doenças e feridos que vinham do front para hospitais de emergência de Parnamirim e ali faleciam em grande número.

Destes que morreram em Natal, todos foram enterrados provisoriamente no Cemitério do Alecrim, até que a guerra findasse, quando seriam trasladados para seu país de origem. Esse traslado aconteceu antecedido por uma comovente cerimônia, mas apenas um soldado americano está até hoje enterrado em Natal: é o sargento Thomas Browning. Mas o que teria acontecido com ele?

Thomas Browning tinha apenas 22 anos quando faleceu em Natal. Ele nasceu em 15 de junho de 1921 e morreu em 18 de julho de 1943. Era meteorologista, nascido na cidade de Cincinnati, Estado de Ohio, e fazia parte do Esquadrão Meteorológico do Comando de Transporte Aéreo.

No livro “Brazil and The United States During World War Second And Its Aftermath”, de Frank D. McCann, um historiador americano especialista na atuação do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e professor da University of New Hampshire, há um trecho intitulado “O Último em Natal” em que ele fala o seguinte sobre a passagem do sargento americano pela capital potiguar:

“Aparentemente encantado pelo Brasil, ele estudou português, fez amizade com brasileiros e amou as praias. Ele ficou na Bahia por dois meses antes da designação para Natal. Sua sepultura é um lembrete duradouro da presença americana em tempo de guerra”.

HISTÓRIAS CONTROVERSAS

Há controvérsias sobre o que teria causado a morte do sargento. Neste mesmo livro anteriormente citado, o americano Frank D. McCann diz que Browning “Morreu repentinamente de meningite espinhal infecciosa, em 18 de julho de 1943”. E não dá mais detalhes sobre o caso.

Já o professor e advogado Protásio Pinheiro de Melo, em seu livro Contribuição Norte-Americana à Vida Natalense, diz que foi professor de português do jovem militar de Cincinnati, mas não cita o que teria motivado a morte do rapaz. Ele relata que foi o próprio Protásio quem manteve contato com o pai do falecido e que teria intermediado a permanência do corpo em Natal a pedido da família.

O historiador Lenine Pinto, no livro “Natal, USA”, é mais enfático: diz que Thomas Browning foi “vitimado por complicações decorrentes de uma doença infecciosa de origem venérea”, ou seja, uma doença sexualmente transmissível (DST). Essa tese é a mais propalada, talvez em razão da grande quantidade de cabarés frequentados pelos americanos em Natal durante a II Guerra, sendo o mais famoso deles o Cabaré de Maria Boa.

A SUPOSTA NOIVA EM NATAL

Esse é outro mistério em torno da passagem de Thomas Browning por Natal. Uma matéria do site Tok de História cita um texto do jornalista macaibense Edilson Varela, que revela vários outros detalhes da vida do americano, como sua paixão pelas águas quentes das praias potiguares e sua pretensão de permanecer em Natal após a guerra. Mas não há menção alguma sobre uma suposta noiva.

Não se sabe exatamente por que a família do soldado pediu para deixá-lo enterrado em solo potiguar. Mas em seu texto no Tok de História Rostand Medeiros afirma já ter escutado certa pessoa comentar que “a família do jovem sargento era evangélica, de um segmento muito tradicionalista em relação às questões sexuais. Devido à sua morte ter ocorrido pela situação anteriormente comentada, a sua família teria ficado extremamente envergonhada e decidiu deixar o corpo do seu ente querido para trás. Tentavam evitar a vergonha perante os membros de sua comunidade religiosa”, escreve.

Lenine fala sobre essa noiva de Sargento Browning, mas é o único a citar nome. Na página 200 do livro “Natal, USA”, o historiador fala sobre as irmãs Dubeaux Dantas. Segundo ele, havia cinco irmãs, quatro delas casaram com americanos e uma ficou viúva durante o noivado e nunca mais quis saber de casamento. E continua: “Inês, a noiva misteriosa do Sgto. Browning, pessoa que ninguém conseguiu identificar, não fosse o fato de Ticiano Duarte ter encontrado sobrinho dela, Zadig”, que teria dado notícias dela e das demais: Idália, Maria de Lourdes, Gracinha e Iracy, esta última que foi para os Estados Unidos com um militar chamado Young, mas ao chegar lá descobriu que o homem era casado e voltou para Natal, conforme conta no livro.

EPITÁFIO

Lápide do sargento americano no Cemitério do Alecrim | Foto: Tok de História

Escrito em inglês a pedido da família do sargento Browning, consta o seguinte epitáfio em sua lápide, no Cemitério do Alecrim. “Em memória do sargento. Thomas N. Browning, da Air Corps, nascido em Cincinnati, Ohio, em 15 de junho de 1921. Faleceu em 18 de julho de 1943, a serviço de seu próprio país, a serviço do Brasil e do povo brasileiro e a serviço de todos que amam liberdade, uma liberdade em todo o mundo. O memorial foi erguido por sua própria família e seus amigos em Natal”.

Segundo Protásio de Melo, o túmulo foi construído por intermédio dele a pedido da família do morto e a inscrição teria sido pedida pelos familiares logo após a sua construção.

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Diego Campelo

Sou jornalista com passagens por jornais impressos e online da capital potiguar e assessorias de comunicação de empresas públicas. Atualmente trabalho como assessor de imprensa. Instagram: @campelodiego1

2 Comentários

2 Comments

  1. Avatar

    Nelson Santana

    14 de novembro de 2018 at 10:21

    Bom Dia. Gostaria de saber se houve realmente um fato narrado por antigos Natalenses que uma Criança na Praia dos Artistas ou do Meio, teria enganchado o pézinho nos Arrecifes enquanto a maré estava baixa e toda população tentou soltar o pé do menino e a maré foi enchendo e tiveram que amputar o pé do menino. Eu sou de São Paulo mas cheguei a ver nos Arrecifes um Monumento em homenagem a População naquele dia que lutou bravamente pela vida do Menino. Todo Natalense tem Registro?
    Obrigado
    Nelson Santana

  2. Avatar

    Nathan

    14 de novembro de 2018 at 11:29

    Onde fica esse túmulo no cemiterio do alecrim?

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