Conecte-se conosco

FORTE DOS REIS MAGOS: a História do Rio Grande do Norte entregue às baratas

Cultura

FORTE DOS REIS MAGOS: a História do Rio Grande do Norte entregue às baratas

FORTE DOS REIS MAGOS: a História do Rio Grande do Norte entregue às baratas

Mais velho que a própria capital do Rio Grande do Norte, o Forte dos Reis Magos é o mais importante patrimônio histórico do nosso Estado. Sua construção foi iniciada em 1598 (1 ano antes da fundação de Natal). O idealizador foi Manuel Mascarenhas Homem, que era tipo o ‘governador’ da capitania de Pernambuco e estava preocupado em proteger a costa do Nordeste dos corsários franceses – um tipo de pirata legalizado – que estavam traficando pau-brasil naquelas regiões. O monumento era tão grandioso que foi descrito na época como o “melhor forte existente na costa brasileira” . O formato de estrela que a gente vê hoje foi finalizado apenas em 1628. Contava com uma artilharia sofisticada para a época e mais de 200 homens para defender a Barra do Rio Grande de possíveis inimigos.

Forte dos Reis Magos – 1609

HOLANDESES

Em 1633 o Forte foi invadido pelos holandeses em uma mega operação de guerra. Quinze navios com uma tropa de 800 homens desembarcaram na Praia de Ponta Negra, cercaram e atacaram a fortaleza. O ataque foi estratégico e fatal, sem chances de reação. O resultado foi uma baixa significativa na guarnição que estava no forte e a rendição dos que conseguiram sobreviver, entre eles Domingos Fernandes Calabar, que após o ataque se aliou aos neerlandeses e até hoje é considerado o maior traidor da história Brasileira.

Durante 21 anos o Rio Grande do Norte foi território holandês e o forte passou a se chamar “Castelo Keulen” (1633-1654). Após muitas guerras e conflitos, finalmente os colonos portugueses (apoiados por militares de Portugal e Inglaterra) conseguem expulsar os holandeses do Nordeste. Não houve guerra no forte, pois ele já tinha sido abandonado antes da chegada das tropas portuguesas.

A fortaleza também serviu como prisão política durante a Revolução Pernambucana (entenda o que foi clicando aqui), tendo o potiguar André de Albuquerque, o principal líder do movimento que batalhava pela independência do Brasil na época, preso e morto após sofrer golpes de espada.

Em 1914, durante a Primeira Guerra mundial, o forte foi guarnecido por uma Bateria Independente de Artilharia de Costa. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1949 e desde março deste ano o monumento está sob a administração do Governo do Estado, sendo antes disso responsabilidade do IPHAN.

ESTIVE POR LÁ RECENTEMENTE

Foto: Karolina Gomes / Insta do @mateusang

Em Julho, fazendo uma visita no local, me deparei com um triste cenário de abandono, não por ter o aspecto de construção antiga, mas pela lamentável falta de zelo com as instalações.

Logo ao entrar percebe-se que não há nenhum interesse pela preservação do local, até porque, por incrível que pareça, não existe ninguém responsável diretamente pela vistoria e responsabilidade das atividades realizadas diariamente por lá. O máximo que você vai conseguir ver são guardas patrimoniais que ficam no interior do forte, mas é um contingente insuficiente para conseguir inibir depredações e outros possíveis problemas.

Alguns guias trabalham no local quase que voluntariamente. Bastante interessados, eles conseguem explicar sobre a rica história do forte.

Roleta na entrada do forte, desativada desde 2013 | Foto: Mateus Angelo

Guia do local explicando a um grupo de turistas sobre a história do Marco de Touros | Foto: Mateus Angelo

Quando visitei o forte uma escavação arqueológica estava sendo realizada e as pedras se aglomeravam bem próximo à capelinha. Inclusive dentro dessa capelinha existem imagens dos Três Reis Magos que fazem pena só de olhar para o estado de completo abandono e, aparentemente, sem restauração ou nenhum tipo de cuidado há anos.

Encontrar lixo no local é algo frequente; não me recordo de ter visto lixeiras ou algo do tipo. Sabendo da péssima educação e falta de consciência da população, não instalar lixeiras é assumir o risco de tornar o interior do forte um verdadeiro lixão.

Outro ponto extremamente negativo é a insegurança para se chegar ao local. Não há policiamento fixo nas redondezas e o caminho até o forte já é conhecido pelos inúmeros assaltos.

Foto: Caio Flávio

TURISMO

Todos esses fatores prejudicaram a força turística que o monumento possui. As empresas de turismo não destinam mais seus passeios para a fortaleza e isso prejudica muito os comerciantes que têm empresas no local. Para se ter uma ideia, em 2013 o forte recebia 250 mil visitantes por ano; em 2014, após inúmeros problemas de insegurança esse número caiu pela metade e muitas famílias que dependem do turismo para sobreviver estão sendo prejudicadas pelo descaso.

DESVALORIZAÇÃO CULTURAL

Infelizmente a nossa história não é respeitada e a desvalorização cultural é a regra nas terras de poti. O turismo cultural, que em muitos lugares é uma mina de ouro, aqui no RN é ignorado de forma estúpida – parece até que está sobrando dinheiro e emprego. O que nos resta é batalhar e tentar sempre estar resgatando um pouquinho do que o RN já viveu.

Nós do TodoNatalense continuaremos fortes na missão de resgatar o orgulho pela nossa história e cultura, aparentemente na contramão dos governantes.

ASSISTA AO NOSSO VÍDEO SOBRE O FORTE DOS REIS MAGOS

Deixe um comentário
Mateus Ângelo

Idealizador do TodoNatalense. Sou Designer Gráfico e Social Media desde 2013. Atualmente trabalho como diretor de comunicação no município de Ceará-Mirim.

Clique para comentar

Deixar uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Cultura

Topo